Paris.
Ele abre a porta de casa, são 17:30 de uma quinta-feira de outono, o cheiro diferente invade sua sala e ao olhar para o chão repara no bilhete deixado por baixo da porta grudado a um ramo de alecrim.
- Oi! Meu nome é Sofia! ( Assim começava o bilhete, a letra era bela como uma pintura.)
Não sei o seu nome, nem sei porque me atrevo a escrever, mas a tanto tempo sonho com você e tem coisas na vida que não se pode perder, você não é mais um estranho pra mim! Deixou de ser no dia em que te vi pela primeira vez, eu estava sentada no café da esquina e lia um livro sobre a história de Bali, você passou na sua bicicleta azul, lembro-me que vestia uma calça surrada com a barra dobrada, chinelos e a sua camisa era branca de botões, aqueles botões traziam mistério pra mim, você me lembrava um homem grego muito charmoso, com seus grandes olhos castanhos! Foram segundos, mas vi tudo o que desejei nessa vida, como se soubesse que foste feito pra mim, mesmo a metros de distância eu sentia o seu cheiro de alecrim que se misturava ao de pão fresquinho que você havia acabado de comprar, eu sorria abobalhada ao te ver passar todas as tardes, me apaixonei pra sempre, pena que você não tenha reparado todos esses meses que eu sempre estou na esquina do café pra te ver quando voltas da padaria! Peço desculpa, mas algumas vezes te segui e descobri onde morava! Você começou a estar presente em meus pensamentos e sonhos e descobri certo dia que eu amava alguém que nem ao menos sabia que eu existia! Até que decidi pelo bilhete dizer: - Estou na esquina do café!
Ass: Sofia.
Ele pegou o chinelo, vestiu a camisa de botão, dobrou a barra da calça e foi de encontro a sua desconhecida amada, pois ele sabia que tem coisas na vida que não se pode perder!
Ouvir: Dois - Tiê
# Cristiane Melo


















