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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Bilhete de alecrim

Paris.

Ele abre a porta de casa, são 17:30 de uma quinta-feira de outono, o cheiro diferente invade sua sala e ao olhar para o chão repara no bilhete deixado por baixo da porta grudado a um ramo de alecrim.
 
- Oi! Meu nome é Sofia! ( Assim começava o bilhete, a letra era bela como uma pintura.)
Não sei o seu nome, nem sei porque me atrevo a escrever, mas a tanto tempo sonho com você e tem coisas na vida que não se pode perder, você não é mais um estranho pra mim! Deixou de ser no dia em que te vi pela primeira vez, eu estava sentada no café da esquina e lia um livro sobre a história de Bali, você passou na sua bicicleta azul, lembro-me que vestia uma calça surrada com a barra dobrada, chinelos e a sua camisa era branca de botões, aqueles botões traziam mistério pra mim, você me lembrava um homem grego muito charmoso, com seus grandes olhos castanhos! Foram segundos, mas vi tudo o que desejei nessa vida, como se soubesse que foste feito pra mim, mesmo a metros de distância eu sentia o seu cheiro de alecrim que se misturava ao de pão fresquinho que você havia acabado de comprar, eu sorria abobalhada ao te ver passar todas as tardes, me apaixonei pra sempre, pena que você não tenha reparado todos esses meses que eu sempre estou na esquina do café pra te ver quando voltas da padaria! Peço desculpa, mas algumas vezes te segui e descobri onde morava! Você começou a estar presente em meus pensamentos e sonhos e descobri certo dia que eu amava alguém que nem ao menos sabia que eu existia! Até que decidi pelo bilhete dizer: - Estou na esquina do café!

Ass: Sofia.
 Ele pegou o chinelo, vestiu a camisa de botão, dobrou a barra da calça e foi de encontro a sua desconhecida amada, pois ele sabia que tem coisas na vida que não se pode perder!

 Ouvir: Dois - Tiê

# Cristiane Melo

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mesmo assunto...

Como não cansar de tardes de monotonia?  Noites cinzentas, janelas abertas, luzes apagadas e uma falta gigantesca de algo que nunca soube o nome. Minhas palavras são sempre as mesmas, a tanto tempo tenho soletrado em papeis sentimentos de saudade, tempo que corre tão rápido quanto as asas de um belo pássaro. As vezes ainda me pego perdida em sensações repetitivas, as mesmas que aparecem quando você volta a ocupar a minha varanda, aquela a beira-mar que costumavamos falar, ela continua a guardar o nome em comum que seria de uma criança, combinando o som do universo a nossa paixão em comum. Quando o que tenho não me satisfaz é disso que sinto falta, deito no chão frio, escutando algo melancólico, porém, não mais do que eu, fecho os olhos e só abro quando me dou conta de que acordei de mais um sonho... E quantos sonhos, que lindos sonhos, inúmeros deles com flautas a entoar o mesmo que você tocou aquele dia sentado a me olhar com doçura, enquanto a água percorria o meu corpo e depois de tanto lembrar, como não cansar dessa monotonia que minha vida se tornou? As imagens do meu arco-íris perderam a cor e elas jamais foram preenchidas novamente.
# Cristiane Melo

terça-feira, 26 de abril de 2011

Vai viver!

Não se prenda ao que te faz mal, manda pastar aquela amiga invejosa e descalça o sapato apertado, sinta-se linda mesmo nos dias em que você acordar com um bad hair, ao menos um dia na vida coma sem culpa e sem contar calorias, seja solteira e tenha amigos gays, seja comprometida e tenha amigos gays, nunca guarde ódio ou rancor, mas jamais esqueça de quem os provocou, tenha fé e acredite no amor, mesmo que não tenha religião ou nem se quer tenha amado, fuja dos problemas curtindo um pôr-do-sol na praia, compre um cd antigo ou um vinil, desligue o computador agora e vá jogar baralho com os seus amigos na calçada mais próxima!

# Cristiane Melo

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

olhos fadigados

Quanto tempo né? Tempo esse que já nem sinto mais, eu fico aqui calada, imóvel na minha varanda suja, só esperando um milagre, vejo o dia amanhecer, entardecer e anoitecer sempre com os mesmos olhos fadigados que só guardam uma velha imagem sua, aquela que não me deixa te esquecer.
Perdi a vontade de respirar, de conviver com as pessoas e até de sonhar, eu parei! Olho ao meu redor, literalmente, está vazio, pior do que tenho carregado dentro do peito, cada música, cada lugar, tudo me faz lembrar o que não quero lembrar.
Todos os dias desenho no espelho a minha própria imagem sorrindo, já que essa por si só não existe mais, e a máscara do espelho me reflete e diz: - será pra sempre assim!
# Cristiane Melo 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Anita

  • Deitada na cama fitava o relógio quebrado, jogado no criado-mudo, sentia uma energia estranha, não era ruim, era apenas diferente... Sentou ao lado do criado-mudo e abriu a primeira gaveta que já não tinha mais puxador, dentro da gaveta poucos trecos e um álbum de fotografias de sua infância, folheou com interesse e percorreu os olhos por cada foto amarelada de seu passado, entre elas uma linda fotografia com uma criança pequenina, loirinha e sorridente, sentiu saudades daquele tempo, da doçura daqueles dias, podia ver a pequena na foto correndo, como sempre enérgica.... Perdida em pensamentos viu a boneca de corda que parecia gravar aquela cena, mesmo calada e imóvel... resolveu dar corda na boneca de roupinha laranja, a melodia que saia de seu corpinho lembrava algo como valsa de caixinha de biju, a boneca balançava a cabeça pra lá e pra cá, olhando a boneca sentia-se cada vez mais envolvida naquela energia, guardou o álbum ao som da valsa e fuçando mais a gaveta se puxador encontra o antigo espelho de bolso da vó Anita, que belo era aquele espelho, no cabo dele ela percebeu existir algo como uma tampa e ao abrir um velho bilhete dizendo: "não se castigar por erros cometidos, só em tentar mudar já é uma grande evolução, todo o tempo é tempo para aprender" Anita.
Ela olhou a própria imagem no espelho, a boneca parou de tocar a valsa e Anita percebeu que ela era a própria vó Anita que deixara esvair o tempo de aprender.

# Cristiane Melo

quarta-feira, 26 de maio de 2010

sofá da tarde

Naquela tarde de céu cinza, em que a monotonia
me acompanhava, tomei um banho frio, e ainda com a toalha enrolada nos cabelos úmidos vesti uma roupa folgada qualquer, peguei um filme sem ler o título, e sem muita animação resolvi assistir, deitei na parte longa do meu sofá e joguei a toalha dos cabelos por ali mesmo... Não demorou muito adormeci, tomada pela calmaria daquela tarde...
Você chegou, eu não sabia o que você fazia ali e nem acreditei que estava, mas não me movi, nem abri os olhos, continuei fingindo dormir perfeitamente, eu não queria que você fosse embora, eu nunca quis, prontamente e sem perceber que eu percebi, você deitou ao meu lado no sofá, pegou o controle remoto e desligou a TV, fazendo os personagens do filme calar, pegou entre os dedos algumas mechas do meu cabelo que se esparramava no sofá, encharcando algumas almofadas e sentiu o perfume que ele exalava, um cheiro muito delicioso por sinal, em poucos minutos você também adormeceu ao meu lado, eu pude abrir os olhos e sorrir para a sua face adormecida, eu quis congelar aquela cena, mas o máximo que pude fazer foi congelar a imagem e guarda-la na minha memória em uma linda moldura, eu me deixei dormir, feliz pela sua presença, me deixei o prazer de te-la.

...

Ouvi o barulho da chuva, e simultâneamente o da TV alta que eu havia deixado ligada, abri os olhos já era noite, olhei a minha volta, a toalha jogada, a TV ligada no mesmo filme e mais nada, você não estava lá... Foi apenas mais um sonho, mais um entre inúmeros que você ocupa, descontente eu permaneci imóvel a olhar ao meu redor, sem querer acreditar. Eu não quis acreditar que a realidade se confunde com os sonhos.

# Cristiane Melo

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Transportar

Tudo é luz e estática, tudo puro e intocável, em instantes de concentração eu chego, posso sentir a luz, posso senti-la purificando e ao perceber, entendo que também posso tudo e me transporto para lá, lá onde por vezes vaguei em sonhos, mas dessa vez é diferente, percebo que faço parte do lugar, posso tocar em tudo e me dou conta da minha própria presença, aqui continua lindo e eu ainda posso voar! As lindas flores brancas ainda cobrem o enorme campo não dando brecha para mais nada nesse espaço, o lugar é delas, graciosas, lançando o delicioso perfume no ar, um pouco ao lado a bela floresta com suas enormes árvores, mas não tão grandes que eu não possa sobrevoar, elas continuam intocáveis, mostrando a sua força, do outro lado do campo de flores as montanhas e o lago, eles também ainda estão lá e me dão boas-vindas com a sua combinação tão singela, mas quase desconsertante...
É tão bom estar de volta, sentir essa paz novamente e saber que dessa vez não foi mero acaso, mas sim que eu desejei e vim, saber que eu estou presente e que sinto, e não apenas imagino. Aqui sei que tudo me acolhe, que tudo é verdade e que foi feito para mim... Lembro-me da fonte, como pude não lembrar antes, entre as árvores, caminho até ela e sento aos seus pés, ela sacia minha sede, sede essa que eu não sinto, aqui não tenho necessidades, aqui eu sou completa, me alimento de luz eu sou a própria luz! Volto ao meu campo de flores e ele como sempre acolhedor me convida a deitar, eu prontamente o faço e logo fecho os olhos, uma luz tão pura e intocável quantos antes invade a minha mente, mas dessa vez eu não a sinto e aos poucos volto, volto em mim e percebo que a jabuticabeira do jardim fazia sombra no meu corpo enquanto eu viajava, eu não estou triste, meu corpo é luz, estou em paz e tenho um lar que pode sempre me acolher, basta os olhos fechar.
# Cristiane Melo

quarta-feira, 24 de março de 2010

Monotonia

Cama; despertador; bocejo; chinelo; banheiro; preguiça; escova de dentes; chuveiro; toalha; quarto; roupas; café; bolsa; chaves; rua; trânsito; atraso; inglês; bocejo; rua; casa; almoço; chuveiro; escova de dentes; quarto; roupas; mochila; chaves; rua; trânsito; atraso; aula; professor; alunos; lápis; caneta; caderno; bocejo; preguiça; lanche; aula; bocejo; bocejo; casa; chuveiro; quarto; pouca roupa; jantar; escova de dentes; jornal; internet; quarto; leituras; cadernos; canetas; banheiro; escova de dentes; chuveiro; bocejo; quarto; menos roupa ainda; cama; bocejo; preguiça; sono; sonhos... cama; despertador; bocejo; chinelo....
MONOTONIA.
Cristiane Melo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Reggae de Raiz. Natiruts



Magia que envolve segredos de um grande amor
nos fazem pensar que nossa liberdade é igual ao céu
imensidão azul criada pelos raios de sol
protegida dos homens que não sabem admirar
o contraste das cores das nuvens ao entardecer
e a sinceridade de velhos amigos ouvindo seu som
toda emoção nos versos de um reggae de raiz
e ter a ilusão que basta ser honesto para ser feliz
Hoje estou consciente da trilha que devo seguir
pra alcançar o meu lugar
não acabou,ela foi embora mas pode voltar,
falo da esperança e da fé
meu amor até em um deserto posso sobreviver
pois hoje encontrei a minha paz

De Mudança..



Desperto!

A luz do sol invade o quarto,passando pela janela aberta que deixa entrar toda a pureza de mais uma manhã, caminho até ela e olho os morros cobertos de verde, que se mostram lindos, para me dar bom dia, em mais um dia nesse paraíso... banho, café, mochila nas costas e caminhada...

A cada passo em meio a tudo isso que me cerca, uma nova palavra, um novo sinal, uma nova resposta, um novo aprendizado...

O ar que ao meu redor, limpo e frio, entra em meus pulmões e purifica todo o meu corpo, a luz do sol que irradia por entre as frestas das árvores, toca a minha pele e aquece a minha alma, o barulho da água, do verde que respira e dos pássaros que ali vivem, compõem a mais bela melodia, a harmonia de tudo que se encontra nesse lugar se torna colírio aos meus olhos e me faz cada vez mais acreditar o quanto Deus é grandioso, perfeito em tudo o que faz...

E passo horas seguindo esse caminho, nem sinto o cansaço percorrendo o meu corpo, nem a distância que eu percorri, só sinto a energia ao meu redor, renovando a minha alma, com o sentimento de recompensa a tudo que se mostra a minha volta...

E assim se passam os dias, renovação, paz, purificação, harmonia, energia, recompensa e aprendizado...

Até chegar ao pôr-do-sol majestoso, que trouxe com ele o Pai para conversar comigo e dar a maior lição que eu pude receber, O AMOR, bastou isso para entender, bastou isso para mudar! E eu mudei, acreditei no que vi, ouvi e senti, e mudei!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mandala ۞

" Atenção a todas as coisas
A todos os símbolos
A todas as chaves
Que abrem essas portas..."
um sonho
um cartão
uma mandala
uma tarde
umas conversas
umas risadas...
e uma paz total!