quarta-feira, 26 de maio de 2010

sofá da tarde

Naquela tarde de céu cinza, em que a monotonia
me acompanhava, tomei um banho frio, e ainda com a toalha enrolada nos cabelos úmidos vesti uma roupa folgada qualquer, peguei um filme sem ler o título, e sem muita animação resolvi assistir, deitei na parte longa do meu sofá e joguei a toalha dos cabelos por ali mesmo... Não demorou muito adormeci, tomada pela calmaria daquela tarde...
Você chegou, eu não sabia o que você fazia ali e nem acreditei que estava, mas não me movi, nem abri os olhos, continuei fingindo dormir perfeitamente, eu não queria que você fosse embora, eu nunca quis, prontamente e sem perceber que eu percebi, você deitou ao meu lado no sofá, pegou o controle remoto e desligou a TV, fazendo os personagens do filme calar, pegou entre os dedos algumas mechas do meu cabelo que se esparramava no sofá, encharcando algumas almofadas e sentiu o perfume que ele exalava, um cheiro muito delicioso por sinal, em poucos minutos você também adormeceu ao meu lado, eu pude abrir os olhos e sorrir para a sua face adormecida, eu quis congelar aquela cena, mas o máximo que pude fazer foi congelar a imagem e guarda-la na minha memória em uma linda moldura, eu me deixei dormir, feliz pela sua presença, me deixei o prazer de te-la.

...

Ouvi o barulho da chuva, e simultâneamente o da TV alta que eu havia deixado ligada, abri os olhos já era noite, olhei a minha volta, a toalha jogada, a TV ligada no mesmo filme e mais nada, você não estava lá... Foi apenas mais um sonho, mais um entre inúmeros que você ocupa, descontente eu permaneci imóvel a olhar ao meu redor, sem querer acreditar. Eu não quis acreditar que a realidade se confunde com os sonhos.

# Cristiane Melo

terça-feira, 25 de maio de 2010

Reparar

Talvez era isso mesmo de que precisava, tempo, dias passando, levando junto tudo aquilo que já não me servia, que nunca serviu... Não que eu quisesse me sentir vazia, em algum momento me senti, mas logo passou, reparar, em todos os sentidos é o meu trabalho agora, reparar no sentido de consertar, colocar os trilhos no lugar para que o trem não vá pelo caminho errado, reparar no sentido de observar, a mim mesma, o falar, agir, pensar...
Entender que tudo é aprendizado, seja o tudo bom ou ruim é fácil! A parte difícil é aceitar! Aceitar que algo ruim que você mesmo causou, ou não, foi para que pudesse enxergar o ponto do i.
É preciso a cada instante se policiar, se educar, e principalmente, ser paciente para esperar pelos resultados que vem aos poucos, recheado de muitos. Acordar todos os dias e olhar pra si dizendo: - eu te amo!
Paz e Fé em cada passo e creio fielmente que em um bom lugar ei de chegar!
# Cristiane Melo



terça-feira, 18 de maio de 2010

Escuta

Olá Coração,
era com você mesmo que eu estava querendo falar, esperei seu horário livre para conversar com mais calma, é que a nossa relação já tem tanto tempo e você tem que admitir que nem sempre tudo são flores, acho que chegou a hora da gente se acertar, concorda? Decidir quem manda aqui afinal!

Olha coração, sempre achei você muito perturbado, e na maioria das vezes nunca soube escolher o que te preencher, é por isso que a Dona Razão vive intrigada com você, tem dias que tu, coração, não fala não, tu simplesmente grita! E aí nem a Dona Razão, nem eu consegue te segurar, e depois sabe o que acontece? Você sofre, mas quem sente a dor sou eu, você chora, mas o rosto encharcado é o meu... Olha bixo, já estou cansada de te remendar, ao menos uma vez me escuta, perceba que coração te aceita e aquele que te rejeita, não dá pra formar textos com uma única tecla, então para de bate-la coração! Eu não aguento mais sofrer pelas suas escolhas mal feitas, tira férias amigo! E me dá férias por favor! Eu preciso descansar do peso de te carregar!
# Cristiane Melo


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Presença

Ela veio me visitar, tanto tempo distante, ausente, cheguei a acreditar que talvez tivesse me esquecido, ou simplesmente muito ocupada para lembrar das velhas amigas... Mais uma vez ela sempre sábia, chegou no momento certo, sempre no momento em que eu precisava, mas não esperava... Entrou de mansinho, abriu a porta do quarto, pegou na minha mão e me levou pra pular da janela do sétimo andar, eu já tinha esquecido a sensação boa de voar, esqueci como era voar, sentir o corpo leve e a neblina da cidade que ainda dormir antes das 4:00 da manhã, a gente parou na velha ponte do lado norte, eu e minha amiga de longa data, ela sempre calada, porém sempre bela, mais uma vez presenteadas pela luz de mais um dia, novamente um simples dia, voltei para casa e agradeci a minha velha amiga pela visita:
- Obrigada PAZ, por voltar a minha vida, por estar presente nos momentos que preciso, por ser o próprio presente do Divino, por ser a PAZ.
Ela segurou as minhas mãos e eu dormi.
# Cristiane Melo


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Desapego



Esse meu dom de achar a resposta segundos antes do salto, de cair fichinhas no momento errado, me deixando sempre num poço de incertezas, te levou, tomou de mim o que eu nunca tive, mais uma vez a varinha remendada falhou e não acertou o feitiço, ahh, mas uma hora o jogo muda e dessa vez despedi treinador, time, fada, feitiço e varinha, tudo aquilo que nunca funcionou, voltar a origem hoje, na verdade é me desapegar de qualquer origem e faço isso com o pé no chão e a certeza de que nada deve ser igual a antes, ao ócio e o espelho, certeza de que nada deve ser levado, tomado ou roubado de mim com o meu próprio aval.
# Cristiane Melo